segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Rompe e rasga


“Olá, desde o ano passado!” Ah... os inevitáveis clichés dos primeiro dias de Janeiro. Com eles surgem também os primeiros entraves às resoluções de Ano Novo. Recordam-se da coluna do ano passado? Perdão, do mês passado! Falou-se disso.
Do dia 31 de Dezembro para 1 de Janeiro vai um salto enorme. Foguetes são lançados, decisões são tomadas com reforçado fulgor, agendas são colocadas na prateleira e outras são estreadas. De facto, olhando para uma agenda, uma página inteira separa um ano de outro, passamos do fundo de um calendário com os meses, para o início de um novo. Mas... e no real? Sim, pois o calendário é tão somente uma representação da realidade, dos dias, das semanas. Não é a realidade em si. Bom, na realidade passamos de uma quarta-feira para uma quinta-feira...
O que de tão refrescante (para além do frio) separa estas datas? Talvez o significado que lhe queiramos dar, talvez a nossa necessidade intrínseca de nos reinventarmos, de inovarmos na nossa efémera existência. 
Criando marcos e âncoras, sejam elas festividades, passas, saltos com o pé direito, o que importa é que acabamos por assumir uma necessidade de inovação, não uma inovação de continuidade, mas sim uma inovação disruptiva, de rompimento com práticas enraizadas.
Se conseguimos romper e desconectarmos do que queríamos deixar no passado, isso já é outra conversa. Afinal, esse passado pode ainda vir agarrado à mesma semana! Que aborrecimento! Mudou o mês, mudou o ano... mas a semana é a mesma! A percepção é tramada.
Quão confortáveis estaremos nós nessa tal de inovação disruptiva? Pouco, talvez. E ainda bem! Caso contrário estaríamos numa evolução continuada mas escamoteada.
Caso as suas escolhas para 2015 tenham sido evolução ou revolução, uma coisa peço, reinvente-se. Como no anúncio, você merece!