sábado, 15 de novembro de 2014

Menino Jesus



Há inovações que não lembram sequer ao Menino Jesus...
Ontem, numa sessão do Viseu Toastmasters Club, um ginásio de comunicação - se não conhece, pesquise, é ouro em Viseu - um dos membros discursava sobre quanta saudade pode conter uma cassete VHS. Lembram-se delas? Foi um discurso emotivo que remeteu muitos dos presentes para um passado próximo e saudoso. Ah, as cassetes VHS... Até existiam rebobinadores. Bem úteis para quando se devolvia a cassete ao vídeo-clube. Também se lembram deles? Certas coisas vão definhando, quando uma nova tecnologia aparece, outras tendem a perpetuar, outras... bom, outras não lembram ao Menino Jesus. E uma dessas é o fantástico rebobinador de DVD! Sim, existe ou existia. Está na mesma linhagem do pente para carecas, dirão alguns.
Esta semana deparei-me com o conceito da escova de dentes que dura uma vida inteira. Medo. Quase que tenho medo de chegar a velho, abrir o armário e ela lá estar, com a patine da idade, mas pronta a desempenhar a sua tarefa, ano após ano...
Confesso que não li o artigo e posso estar a ser extremamente injusto. Mas há coisas em que mais vale a pena não inovar. Por exemplo, o comprimido para substituir o café. Em vez da canseira de ter que mexer com a colher, dar um golo, aguardar, dar outro golo, etc, basta tomar um fabuloso comprimido e as nossas necessidades de cafeína estão suprimidas! Bom? - Não, tenebroso!!! Eu não coloco açúcar no café, mas não dispenso o ritual de o mexer com a colher. 
Por favor, não nos retirem os rituais aprazíveis.
Já que estamos a falar de  rituais, um polémico actualmente, o de tomar banho. Um anúncio que li há uns anos, e... que não lembrava ao Menino Jesus, promovia um pó que, depois de aplicado pelo corpo, dispensava o duche diário. 
No contexto do surto de legionella, esta inovação do pó, afinal... lembraria a muita gente!

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Metodologias




E se de repente, assim como num clique, apercebecemo-nos que afinal temos gravado no nosso código genético o ADN da mais pura inovação? Em Português, etnicamente rigoroso, apelidamos tal característica de espírito de “desenrascanso”. As condições que apuram tal elevada e nobre característica são uma combinação de falta de recursos (muito em voga por ora) e um elevado, e previsível, pânico de última hora!
Tinha acabado de sair da faculdade quando comecei a trabalhar no negócio de família. Com cargo de filho do dono, portanto! Mesmo que tivesse tido Gestão por formação de base, pouco mais iria acrescentar à parca preparação com que qualquer jovem sai de uma faculdade para lidar com o mundo empresarial, vulgo mundo real.
Mas estavam reunidas as condições! Não tinha recursos próprios de Gestão e a tal de ultima hora já tinha passado, já estava no activo. O que fazer? Desenrascar-me pois claro! Vasculhei mentalmente qual das cadeiras tinha tido que mais poderia contribuir. Como a minha formação de base foi em Design, encontrei na Gestão da produção Industrial a ferramenta que me veio a servir de mote enquanto Gestor. Essa ferramenta, de autoria do Designer Bruno Munari, esquematiza todos os passos necessários para a resolução de um problema. Percorre, estruturadamente, o processo desde a identificação do problema, a análise de vária situações, os protótipos de soluções e seus testes de viabilidade até à concepção de uma solução final. Para mim, foi a ferramenta perfeita. Numa metodologia, cuja linguagem me era familiar, encontrei a minha ferramenta de gestão. Inovei? Desenrasquei-me? Qual a fronteira?? Não sei. Qual o resultado? Situações resolvidas. Eficaz? Sim, pelo menos para mim. Quanto às ferramentas que servirão para o leitor? Dizer para se desenrascar fica pouco elegante, pelo que digo, inove. A solução pode estar numa área diametralmente oposta.