sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Peça a peça II

Ainda na senda da coluna anteriormente publicada, volto ao tema dos Legos como elemento de facilitação.
São três as áreas onde a metodologia LEGO SERIOUS PLAY tem a sua eficácia comprovada:
Ir além das reuniões 20/80 e envolver os participantes, desbloquear novo conhecimento e quebrar padrões de pensamento rotineiros. 

Vejamos em maior detalhe como é que a metodologia LEGO SERIOUS PLAY traz valor acrescentado: Em muitas empresas, nas reuniões de trabalho convencionais, a informação não flui e a atenção dos participantes tende a divagar. Mais vezes do que seria desejado, um dou dois indivíduos (provavelmente mais seniores na organização) mais extrovertidos, mais “poderosos” controlam e monopolizam a reunião. Estes 20% dos participantes ocupam 80% do tempo. Para piorar o cenário, é usual que repitam a mesma informação vezes sem conta. Isto faz com que os restantes 80 por cento dos participantes contribuam pouco, percam o foco no tema e o interesse na possível solução. Acabam por se reclinar nas suas cadeiras afastando-se fisicamente da reunião, espreitando os telemóveis, pensando no jantar, etc. Estas reuniões não são democráticas nem inclusivas e geram um sentimento negativo que tende a perpetuar no tempo.

Após garantir uma participação de 100% das pessoas em 100% do tempo, o desbloqueio de novo conhecimento vai emergir e será mais do que a soma individual das suas partes, os participantes irão perceber o sistema como um todo, assim como as ligações entre os objectivos das pessoas e os objectivos da empresa. A possibilidade de criar modelos dos sistemas em que as empresas operam, permite ter uma visão global e jogar com acções/consequências. Para finalizar, a utilização de metáforas, da construção da resposta por modelos, sua posterior verbalização e troca de opiniões, garante que, uma vez que são utilizados métodos inovadores, os padrões de pensamento também são desafiados a estruturar novas ligações. Como resultado temos os participantes a ter ideias novas, abordagens mais estruturadas e maior compromisso na a solução de problemas complexos. É isto, construir soluções, peça a peça.

Peça a peça

Pese embora o tema já ter sido abordado nos passado, nesta mesma coluna, a curiosidade sobre esta inovadora forma de facilitar reuniões e/ou sessões de trabalho foi aumentando - em parte devido ao workshop levado a cabo por altura dos Jardins Efémeros. Eis que volto a escrever sobre Legos. Mais concretamente sobre a metodologia Lego Serious Play.

Então o que é o Lego Serious Play? É uma poderosa e inovadora ferramenta de facilitação e visualização para equipas de trabalho. Promove a comunicação, trabalho em equipa, criação e teste de soluções, modelos de negócio e inovação. Os participantes são guiados, através de uma série de questões cada vez mais profundas. Cada participante é convidado a construir um modelo Lego tridimensional em resposta às questões que o facilitador coloca, utilizando peças Lego especialmente seleccionadas. Estes modelos 3D servem de base para a discussão, partilha de conhecimento, resolução de problemas e tomada de decisões do grupo. Consegue-se desta forma uma maior profundidade nos temas e maior alcance em menos tempo, levando a melhores decisões e com mais compromisso por parte dos intervenientes, logo, a mais produtividades nas reuniões de trabalho. O objectivo de uma sessão Lego Serious Play é maximizar a confiança, a reflexão, o compromisso e o potencial das pessoas reunidas à volta de uma mesa.

Com a metodologia Lego Serious Play as pessoas “chegam-se à frente” nas reuniões. O resultado é mais participação, mais intuição, mais conhecimento, mais interligação e, em ultima instância, mais compromisso e melhor implementação das soluções.
Numa sessão Lego Serious Play, a peça Lego serve como a linguagem comum que todos podem usar, independentemente do nível académico, posição ou cultura. Isto garante que o conhecimento e intuição de todos emerge durante a sessão. O foco inicial é no indivíduos e não no grupo. Isto significa que a estrutura base do processo requer que cada um esteja activamente envolvido no processo de decisão, o que aumenta as probabilidades de que todas as partes irão honrar as decisões e os compromissos após a reunião. E isso, faz acontecer.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Olha o robot

Recentemente, numa qualquer rede social, vi algumas publicações relativas a inovação que me colocaram questões para além da inovação em si. Uma delas referia que a tecnologia criara uma geração de idiotas. Idiotas não como geradores de ideias mas sim de patetas alegres, a serem alimentados por um interminável feed e a tomar como snacks uns coloridos emojis com smiles e polegares erguidos. Quem diria… o polegar oponente, esse marco da evolução, reduzido a um primitivo like… Poderia lutar contra essa observação, poderia achar que é uma visão de velho de Restelo. Faria valer a crença de que ficamos velhos quando deixamos de criticar os mais seniores e passamos a criticar os mais novos. Bom, embora as minhas entradas me recordem do meu grau de maturação, também a simples observação numa qualquer mesa de qualquer café ou, ainda mais “idiota”, num restaurante, pode provar que esta mesma idiotice é independente de idade.


No mesmo dia vi também uma publicação, partilhada em igual tempo por um amigo da mesma cidade e por um do leste da europa - globalização oblige - sobre um super-robot que, com uma agilidade impressionante, galga escadas, passa por rampas, enfim, move-se com uma velocidade e destreza por norma não associada a robots. Pelo menos a reais, não aos dos filmes. E foi precisamente um filme, ou uma serie deles, que me veio à cabeça: O Exterminador… Ora, eu até me considero um tipo de inovação, um interessado por tecnologia e gadgets, a que propósito fiquei tão apreensivo com este robot? Será o receio da substituição da mão de obra humana pela robótica? Será a destreza (o equivalente ao polegar oponente) deste amontoado de peças que, em breve terá acesso a inteligência artificial? Creio que não, creio que o que mais assusta continua a ser o humano que possa estar por detrás das instruções, do código. Lena d’Àgua, olha o robot! Cuidado com a menina e o menino…idiota.

Texto publicado na edição 777 do semanário Jornal do Centro