sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Regresso ao futuro


 É tão certo como abusarmos nas sobremesas durante a ceia. Quase tão certo como pedir desejos enquanto tentamos engolir as passas, de forma compassada, com as badaladas que separa o ano velho do novo. Sim, falo das resoluções de início de ano.
Igualmente certo é recordarmos das que decidimos encetar no início do ano e que, agora que termina… acabaram por ficar pelas intenções.
Todos os anos o processo repete-se; garra, muita garra nas novas decisões! Mas depois… depois arrumamos a casa, varremos os confetes e com eles varremos também a força das novas resoluções. O que falha? Será que decidimos o que mudar e nos esquecemos de "como" mudar?
A imagem dessa mudança vai ficando ténue no decorrer do tempo e quanto mais nos afastamos do momento da tomada de decisão, menos força ela irá ter. 
Em Coaching é usual uma ferramenta chamada de Linha do Tempo. O processo que utilizamos para recordar é o mesmo que podemos utilizar para imaginar. A nossa mente adora esta actividade. Recorda-se da última passagem de ano? Óptimo, agora reforce o que viu, ouviu, sentiu nessa altura. A recordação fica mais forte, certo? Pelo seu sorriso posso ver que sim.
Podemos então, utilizar o mesmo método para enriquecer a imagem que queremos com a nossa resolução de ano novo. Iremos vê-la com detalhes, ouvir os elogios por essa decisão e sentir a recompensa por tê-la tomado. Ainda nesse presente/futuro, poderemos olhar para trás (para o passado/presente) e ver que passos tomamos para tornar essa resolução num facto consumado.
Voltando ao nosso presente, são esses os passos que definirão o "como" e que irão definir quais as atitudes, os pequenos degraus, que iremos tomar no dia-a-dia para atingir a mudança proposta.
O novo ano está a chegar, antecipe-se! Vá até lá e escolha onde quer inovar, depois regresse. Regresse e festeje. Eu regresso para o ano. Boas festas.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A pura da loucura




Inovar, inovar, todos devemos inovar. Calma, nem todos... Para alguns, inovar é um desafio que nos coloca demasiado fora da nossa zona de conforto. Decerto que é fora dessa zona que ocorre a mudança, mas quereremos todos nós mudar? Imaginem o sofrimento, a angustia que é, para alguém que todo o dia faz o mesmo percurso para o trabalho, toma o seu café sempre no mesmo local e que fica fulo quando a sua mesa habitual está ocupada... imaginem o que será para essa pessoa a simples imagem de inovação e mudança!? “Se está bem não se mexe!!” Estagnação? Ou garantia de que, se funciona, não se muda? Complicado este ser humano... uns gostam da certeza, outros da variedade. Qual será então a melhor fórmula? A mudança ou a garantia da continuidade? 
Por vezes, em treinos de chefia de equipas, colocam-me a seguinte questão: - O que é mais desejável numa equipa? - Tudo. Sem pessoas que privilegiem a inovação, a mudança, iremos estar eternamente a fazer a mesma coisa, da mesma forma. E que, se esperamos resultados diferentes, acaba por ser uma boa definição de loucura... Por outro lado, se inovamos permanentemente, acabamos por perpetuar a decisão final. 
Necessitamos da certeza para confirmar a validade da novidade. A inovação, para ser verdadeiramente arrojada, não pode estar presa a pragmatismos de exequabilidade. Deve poder ser até utópica, sem fronteiras de orçamento nem limites físicos ou espirituais. depois, serenamente, irá ser filtrada, irá descer à terra e ter (ou não) a sua aplicabilidade testada e validada. Repetir o mesmo processo e esperar um resultado diferente é uma definição de insanidade. Mas também se diz que, a diferença entre um génio e um louco é o grau de sucesso da ideia. Necessitamos de certezas para os nossos inovadores vingarem, mas também necessitamos de ser loucos para inovar.