terça-feira, 16 de outubro de 2018

Coluna da semana passada no Jornal do Centro em que se questiona por onde andará, afinal, essa tal de solução?
Onde acham que anda??
"Na passada segunda-feira assisti à primeira intervenção de um ciclo de palestras trazidas à comunidade pelo Rotary Clube de Viseu sobre o tema “Empreendedorismo 4.”. Foi extremamente interessante e elucidativo ver que, de forma descontraída como que de uma uma ligeira história familiar se tratasse, o palestrante, o Coach Sérgio Almeida, conduziu os presentes, representantes de diversos sectores da cidade nomeadamente empresários, comerciantes, educadores, e demais, questionando-nos constantemente sobre papel do empreendedor no seu espectro mais alargado. Considerando que vivemos num mundo V.U.C.A. (volátil, incerto, complexo e ambíguo) seria desafiante – e extremamente ambicioso – encontrar, naquelas quase duas horas (tão curtas!) respostas às inúmeras questões levantadas. Findo o evento, já no decorrer da semana, foi precisamente isso que, me foi dito por um dos participantes: que não tinha encontrado resposta à sua questão. Creio que não será o intuito destas conferências responder a questões, mas sim levantá-las e isso mesmo foi referido. A solução correta não é como se de umas gotas miraculosas se tratassem, isso simplesmente não existe. E se existe questiono a sua eficácia e consistência. Uma resposta, para ser eficaz - assim como um medicamento - deve estar alinhada com os sintomas apresentados. As soluções one-size-fits-all estão, como se diz nos meandros da moda, demodé. A Consultadoria, a Formação e, principalmente, a Facilitação de cooperação nas organizações apresenta-nos, actualmente, soluções inovadoras com resultados constatados e confirmados. As metodologias de Facilitação principalmente, promovendo a coautoria das soluções por parte dos participantes, garante que o sentimento de posse e de criação da solução perdure no tempo e que os participantes entendam a solução como deles, não algo que foi plantado como se de uma colonização mental se tratasse. As respostas constroem-se. Seria interessante ver como os empreendedores Viseenses reagiriam a temas como, por exemplo, a liderança pela arte ou, ainda mais desafiante, a liderança servente em que o líder não é seguido, mas sim seguidor. Ambíguo, não? É assim o novo mundo. É assim a nova realidade."

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Peça a peça II

Ainda na senda da coluna anteriormente publicada, volto ao tema dos Legos como elemento de facilitação.
São três as áreas onde a metodologia LEGO SERIOUS PLAY tem a sua eficácia comprovada:
Ir além das reuniões 20/80 e envolver os participantes, desbloquear novo conhecimento e quebrar padrões de pensamento rotineiros. 

Vejamos em maior detalhe como é que a metodologia LEGO SERIOUS PLAY traz valor acrescentado: Em muitas empresas, nas reuniões de trabalho convencionais, a informação não flui e a atenção dos participantes tende a divagar. Mais vezes do que seria desejado, um dou dois indivíduos (provavelmente mais seniores na organização) mais extrovertidos, mais “poderosos” controlam e monopolizam a reunião. Estes 20% dos participantes ocupam 80% do tempo. Para piorar o cenário, é usual que repitam a mesma informação vezes sem conta. Isto faz com que os restantes 80 por cento dos participantes contribuam pouco, percam o foco no tema e o interesse na possível solução. Acabam por se reclinar nas suas cadeiras afastando-se fisicamente da reunião, espreitando os telemóveis, pensando no jantar, etc. Estas reuniões não são democráticas nem inclusivas e geram um sentimento negativo que tende a perpetuar no tempo.

Após garantir uma participação de 100% das pessoas em 100% do tempo, o desbloqueio de novo conhecimento vai emergir e será mais do que a soma individual das suas partes, os participantes irão perceber o sistema como um todo, assim como as ligações entre os objectivos das pessoas e os objectivos da empresa. A possibilidade de criar modelos dos sistemas em que as empresas operam, permite ter uma visão global e jogar com acções/consequências. Para finalizar, a utilização de metáforas, da construção da resposta por modelos, sua posterior verbalização e troca de opiniões, garante que, uma vez que são utilizados métodos inovadores, os padrões de pensamento também são desafiados a estruturar novas ligações. Como resultado temos os participantes a ter ideias novas, abordagens mais estruturadas e maior compromisso na a solução de problemas complexos. É isto, construir soluções, peça a peça.

Peça a peça

Pese embora o tema já ter sido abordado nos passado, nesta mesma coluna, a curiosidade sobre esta inovadora forma de facilitar reuniões e/ou sessões de trabalho foi aumentando - em parte devido ao workshop levado a cabo por altura dos Jardins Efémeros. Eis que volto a escrever sobre Legos. Mais concretamente sobre a metodologia Lego Serious Play.

Então o que é o Lego Serious Play? É uma poderosa e inovadora ferramenta de facilitação e visualização para equipas de trabalho. Promove a comunicação, trabalho em equipa, criação e teste de soluções, modelos de negócio e inovação. Os participantes são guiados, através de uma série de questões cada vez mais profundas. Cada participante é convidado a construir um modelo Lego tridimensional em resposta às questões que o facilitador coloca, utilizando peças Lego especialmente seleccionadas. Estes modelos 3D servem de base para a discussão, partilha de conhecimento, resolução de problemas e tomada de decisões do grupo. Consegue-se desta forma uma maior profundidade nos temas e maior alcance em menos tempo, levando a melhores decisões e com mais compromisso por parte dos intervenientes, logo, a mais produtividades nas reuniões de trabalho. O objectivo de uma sessão Lego Serious Play é maximizar a confiança, a reflexão, o compromisso e o potencial das pessoas reunidas à volta de uma mesa.

Com a metodologia Lego Serious Play as pessoas “chegam-se à frente” nas reuniões. O resultado é mais participação, mais intuição, mais conhecimento, mais interligação e, em ultima instância, mais compromisso e melhor implementação das soluções.
Numa sessão Lego Serious Play, a peça Lego serve como a linguagem comum que todos podem usar, independentemente do nível académico, posição ou cultura. Isto garante que o conhecimento e intuição de todos emerge durante a sessão. O foco inicial é no indivíduos e não no grupo. Isto significa que a estrutura base do processo requer que cada um esteja activamente envolvido no processo de decisão, o que aumenta as probabilidades de que todas as partes irão honrar as decisões e os compromissos após a reunião. E isso, faz acontecer.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Olha o robot

Recentemente, numa qualquer rede social, vi algumas publicações relativas a inovação que me colocaram questões para além da inovação em si. Uma delas referia que a tecnologia criara uma geração de idiotas. Idiotas não como geradores de ideias mas sim de patetas alegres, a serem alimentados por um interminável feed e a tomar como snacks uns coloridos emojis com smiles e polegares erguidos. Quem diria… o polegar oponente, esse marco da evolução, reduzido a um primitivo like… Poderia lutar contra essa observação, poderia achar que é uma visão de velho de Restelo. Faria valer a crença de que ficamos velhos quando deixamos de criticar os mais seniores e passamos a criticar os mais novos. Bom, embora as minhas entradas me recordem do meu grau de maturação, também a simples observação numa qualquer mesa de qualquer café ou, ainda mais “idiota”, num restaurante, pode provar que esta mesma idiotice é independente de idade.


No mesmo dia vi também uma publicação, partilhada em igual tempo por um amigo da mesma cidade e por um do leste da europa - globalização oblige - sobre um super-robot que, com uma agilidade impressionante, galga escadas, passa por rampas, enfim, move-se com uma velocidade e destreza por norma não associada a robots. Pelo menos a reais, não aos dos filmes. E foi precisamente um filme, ou uma serie deles, que me veio à cabeça: O Exterminador… Ora, eu até me considero um tipo de inovação, um interessado por tecnologia e gadgets, a que propósito fiquei tão apreensivo com este robot? Será o receio da substituição da mão de obra humana pela robótica? Será a destreza (o equivalente ao polegar oponente) deste amontoado de peças que, em breve terá acesso a inteligência artificial? Creio que não, creio que o que mais assusta continua a ser o humano que possa estar por detrás das instruções, do código. Lena d’Àgua, olha o robot! Cuidado com a menina e o menino…idiota.

Texto publicado na edição 777 do semanário Jornal do Centro

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O Natal dos Guardiões

Hoje tive uma forte fonte de inspiração. Contrariamente ao habitual (vir de bicla), desloquei-me de carro para a zona histórica e, caso raro, vislumbrei um lugar perto do Museu Nacional Grão Vasco. Mas esse lugar afinal estava destinado! Esse lugar tinha uma guardiã! Guardiã essa que, com voz esganiçada, me avisou que o lugar estava guardado para uma amiga que estava mal estacionada e que tinha ido buscar o carro para irem ver o museu. Ora, talvez embebido de espírito de bom anfitrião (o sotaque era do sul, era mais “à séria, tá a ver?”) abdiquei do lugar não sem antes referir a falta de civismo que tal acção representava. Mas aí fez-se luz! Mas que falta de civismo?! Estamos na tal quadra!!! A quadra do vale-tudo! Assim sendo tomo a liberdade de compilar algumas práticas para aprimorar o moderno espírito natalício, dando aos leitores a possibilidade de inovarem e acompanharem as mais recentes tendências sociais. 

Comecemos então: Guarde lugares, guarde lugares de tudo, de estacionamento com o corpo de alguém, das mesas com os casacos e já agora, da fila do WC com os chinelos de quarto; quando descer escadas rolantes pare logo à frente a decidir para onde vai, demore a decidir e engane os restantes simulando que volta para trás; se for de elevador não deixe sair ninguém antes, entre primeiro e, se possível, com sacos em ambos as mãos; a zonas de entrada nas superfícies comerciais são as melhores para estacionar, só os broncos é que não notam; nos cruzamentos bloqueie quem vem de outros lados e, se tiverem aquela trama de riscas amarelas, aproveite para se entreter tentando parar cada roda sem tocar nas riscas - é bestial - no verdadeiro sentido da palavra! Ah, e nas mesas das praças de restauração, ocupe sempre em número superior ao que necessita, guarde lugares para a família de um amigo, afinal, é a quadra do Natal!

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Pilhas

Portugal está ao rubro, está incandescente. Só não está mais quente por o verão de S. Martinho veio mais cedo (e também já foi) e agora a iluminação é de LED´s e mais fria, senão vejamos: 

O Primeiro-ministro inaugura uma escultura da super-contratada Joana Vasconcelos, um clique, dois cliques no comando e a coisa não funciona… é da pilha. O polémico galo, detestados por uns, aclamado por outros, acende algumas discussões e relembra de algo importante em sociedade, que é possível, e até saudável, ter opiniões diferentes e as debater. É assim que se formam as ideias, não num básico e simplório “quem não é por mim é contra mim” do tipo “fica lá com a bicicleta”. Já agora, por falar em bicicleta e transportes:

A Web Summit decorre em Lisboa. Um evento com uma projecção mediática impressionante e um elevado retorno em potencial, Um manancial de mentes brilhantes, misturadas com comuns mortais e os (menos) comuns investidores.
No arranque do evento, Paddy Cosgrave, o fundador da Web Summit, tentou mostrar 'live streaming' do evento, mas pelos vistos o wifi não tinha, digamos, “pilha”.
Milhares de ideias a fervilhar e não só. Algumas coisas também fervilham pelas redes sociais, pilhas de partilhas de fotografias - quiçá narcisistas - de crachá de atendee ao peito. Agora partilhar conteúdos, ideias e assunto que fossem de lá surgindo? Humm, isso dá muito trabalho e poucos likes. Brotam também partilhas de cenários assustadores para quem se tem de deslocar na cidade. Metro entupido. Pobres Lisboetas, já não lhes chegava as obras e os tuk-tuk… Agora os despenteados passeiam pelas nossas ruas, bebem da nossa cerveja, podem (pelo que foi noticiado) ficar até mais tarde , beneficiam da benevolência das autoridades e ainda têm a distinta lata de entopir o metro? Só faltava levaram as ideias para outros países! Aí sim, ficávamos com nervos, com uma pilha deles!

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

“Nota-se que adora o que faz”. Foi com esta curta e poderosa frase que concluíram a minha apresentação à plateia. Dei dois passos e encarei-a. Que plateia! Todos, ou quase todos, antigos professores. A tarefa, quase vestida de desafio, foi-me proposta pela minha irmã: ir falar, durante cerca de uma hora, sobre Coaching na mui nobre Associação de Solidariedade Social dos Professores em Viseu.

Se por um lado a minha dupla certificação como Coach me trazia a necessária  segurança, por outro a imagem da plateia, uma espécie de sala de professores concentrada, habituadíssimos a ouvir e a avaliar, desafiava a tal almejada segurança. Mas era sobre Coaching que iria falar, isso tal de Coaching que, também graças ao futebolista Éder e à sua mental coach, estava na ordem do dia e tinha sido catapultado para a ribalta. Pois então nada melhor que usar uma ferramenta do processo e fazer uma viagem no tempo. Uma curta viagem, avançar apenas o suficiente para ir ao final da palestra, onde já pude ver os olhares de aprovação, ouvir os aplausos e sentir os calorosos e sinceros cumprimentos. Ficou mais fácil, ficou mais plausível, fiquei mais seguro.

Falou-se - e questionou-se, não fosse o tema coaching, indissociável de questões - de metas, objectivos, de valores e crenças limitantes e poderosas. Também de linguagem corporal e como esta nos influencia e quanto influencia que nos ouve/vê. Já próximo do final surgiu uma importante questão: “ E quando falhamos?” Ah, o falhar, esse quase palavrão nesta eficaz sociedade, onde a corrente New Age, com o seu positivismo exacerbado, condena sobremaneira o falhar… O falhar, o fracasso, é um julgamento sobre o resultado a curto prazo. Se o Coachee (cliente) ainda não alcançou a sua meta, tudo o que isso significa é que não alcançou a sua meta - ainda.