"...o homem, mais cedo ou mais tarde, descobre que é o mestre jardineiro da sua alma, o director da sua vida. Também revela perante ele, as leis do pensamento e, com uma crescente precisão, como as forças do pensamento e os elementos mentais operam na definição do seu carácter...” James Allen.
Passaram quase quinze dias e ainda tenho na cabeça o rufar dos tambores. Ainda sou assolado pelo som das cordas de piano a serem estimuladas por processos não convencionais. Refiro-me a um dos concertos integrado no programa dos Jardins Efémeros. Ah, os Jardins... Confesso que não concordo com a expressão gostos não se discutem. Acredito que sim, que se discutem e é precisamente dessa discussão - salutar e civilizada, claro - que se evolui enquanto criatura “crescente”. Tão fácil que seria agradar a todos, tão fácil que seria massificar e presentear-nos com algo espectável e seguro. Tão fácil que seria cair no lugar comum, no relvado seguro e uniformemente aparado. Sandra Oliveira, desta feita, cravou a enxada mais fundo na terra das nossas mentes. Não repetiu a plantação e arriscou no ecossistema que apresentou. Foi fácil? Não. Foi efémero? Também não. Sinto a semente destes Jardins de uma forma mais profunda, mais cravada, mais inquietante e, principalmente, mais questionante. Fez pensar, e isso é bom. É uma semente que germina. É uma semente que abre horizontes, que nos coloca fora da zona de conforto e é aí, fora do conforto, que a magia acontecesse. Este ano, os Jardins estava mais secos, mais austeros e mais rígidos. Abriam com a tal luz da cidade, transfigurando-se pela noite. Estes Jardins tinham vida e identidade própria. Obrigado Sandra, obrigado por tirares conforto e proporcionares confronto. Por favor continua a regar, já é mais que utopia.