segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Exoesqueletos



Quem nunca copiou num teste levante a mão! Os mentirosos e bem com portados podem levantar a mão agora.
Recordo-me de ouvir a história, passada nos anos 60, de dois irmãos com jeito para a electrónica, que engendraram um sistema que permitia comunicarem da sala de aula para o exterior, e vice-versa, de forma escamoteada. Vá-se lá saber para quê?…
Mas é assim com quase tudo. Muitas boas inovações foram, são e serão usadas para fins menos nobres do que aqueles que as motivaram. Vejamos o caso dos smartphones, são equipamentos com capacidade de aceder a uma quase infindável base de informação, a uma imensa rede de contactos, com capacidades fotográficas perfeitamente inimagináveis há 10 anos… E para que é usado? Para dar likes em fotos com beicinho! 
Atenção, nada contra o beicinho! Eu também faço beicinho, principalmente quando dá futebol. Confesso que não é actividade que me seduza - não posso chamar desporto, pois mexe com demasiadas coisas para tal - contudo, foi com enorme entusiasmo que vi o momento alto do último mundial. Ainda que por  uns curtos segundos, uma pessoa com mobilidade reduzida, paraplégico, deu um pontapé numa bola graças a um avançado exoesqueleto. A tão pequena exposição mediática deste momento contrasta com o enorme avanço em termos de mobilidade humana. A ciência a melhorar a condição humana! 
Com intuitos menos nobres, mas com muito mais dinheiro para investir, estão as forças armadas. Recentemente a marinha norte-americana adquiriu dois exoesqueletos para testes de movimentação de cargas em ambientes industriais. Apesar do esforço suplementar para o metabolismo do operador, os testes são conclusivos; a produtividade pode aumentar em vinte por cento. A produtividade... não a mobilidade!
Que seja como os copianços, sempre se aprende algo ao fazê-los...

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Where is my mind?

Quem foi já às compras sem uma lista? Pois, também eu. E é verdade, acabei mesmo por comprar mais do que necessitava. A máquina assim está montada. Mas não é só essa, há outra pior, mais envolvente e aprisionante. A máquina da vida. Este lufa-lufa, esta correria que, no meio de tantos requisitos e solicitações nos deixa perfeitamente assoberbados. Por vezes mesmo completamente perdidos.
Um dos maiores especialistas mundiais em produtividade, David Allen, refere, através da sua metodologia “Get Things Done” que é imperativo, para desempenhar qualquer tarefa, ter, de forma omnipresente um “dispositivo de captura de pensamentos”! Papel e lápis serve perfeitamente. Onde é que isto nos leva afinal? Ao paradigma de que o saber não ocupa lugar. Ocupa sim, e muito. Quanto mais não seja ocupa os nosssos bites e bytes neuronais cada vez que, determinada tarefa transita, da nossa memória de médio prazo, para a imediata, ou seja, cada vez que nos lembramos que temos de fazer algo... 
Serão as tais listas uma solução? Sim, mas solução para quê? Para tarefas rotineiras, pontos sequenciais ou mesmo aleatórios decerto que servirão. Mas para estruturar linhas de pensamento e criatividade, pela sua simplicidade, são insuficientes.  
Aqui entra o segundo citado desta coluna, Tony Buzman. Com nome de super herói, este escritor desenvolveu a ferramenta dos mapas mentais. Um mapa mental aproxima-se muito mais de como pensa o nosso cérebro e de como as ligações neurológicas dão origem a novas ligações. É epicêntrico. Da ideia central ramifica uma panóplia de sub-pontos e seus “ramos-filhos”. Um mapa mental é, por norma, colorido e rico visualmente. Desta forma é mais facilmente ancorado pelos nosso processos cognitivos. 
Convido o leitor a pesquisar sobre mapas mentais e a fazer um, de preferência usando uma grande folha! Sugiro, apenas, que não o leve para as compras... aí, uma lista clássica funciona melhor.

Versão 2.0


As novas versões de algo são espectaculares. São as chamadas versões 2.0. Quando aparece algo de novo, temos uma enorme apetência para actualizar, para colocar de lado a velha versão. Todos os anos tendemos a fazer um upgrade, a aproveitar o virar do calendário para termos uma nova versão de nós próprios. Contudo, verificamos com o amadurecer dessa nossa nova versão que, a anterior, tinha grandes valores e, esses, queremos manter. 
Embalado pelos 30 anos do primeiro Apple Macintosh decidi ir resgatar a um caixote empoeirado, aquele que foi o meu primeiro Mac, curiosamente O primeiro Mac, de 1984. Quando me chegou às mãos já estava em estado de semi... velho. Mas funcionava, nele fiz o meu segundo “desenho assistido por computador” - o primeiro tinha sido uma aventura em basic no saudoso Spectrum 48k - o simples acto de guardar um ficheiro dava tempo suficiente para ir aquecer o jantar, nos igualmente saudosos tempo de estudante. Pó, muito pó. Com bastante cuidado e respeito pelo ancião informático, lá fui devolvendo a dignidade. Terminei a limpeza. Ligar à tomada foi um erro craso! Um breve silvo seguido de uma melancólica fumaça ditou o que temia. Por melhor aspecto que tivesse, as antigas versões devem sempre ser apreciadas no seu contexto temporal. Revisitar o passado, quando o tentamos contextualizar no presente, é algo arriscado. O futuro, esse, é bem mais tranquilo de trazer aos nosso dias. Podemos mais facilmente moldar a inovação aos nossos desejos e à nossa realidade. É precisamente essa inovação que será visitada nesta coluna. Bem-vindos a esta versão 2.0.