E se de repente, assim como num clique, apercebecemo-nos que afinal temos gravado no nosso código genético o ADN da mais pura inovação? Em Português, etnicamente rigoroso, apelidamos tal característica de espírito de “desenrascanso”. As condições que apuram tal elevada e nobre característica são uma combinação de falta de recursos (muito em voga por ora) e um elevado, e previsível, pânico de última hora!
Tinha acabado de sair da faculdade quando comecei a trabalhar no negócio de família. Com cargo de filho do dono, portanto! Mesmo que tivesse tido Gestão por formação de base, pouco mais iria acrescentar à parca preparação com que qualquer jovem sai de uma faculdade para lidar com o mundo empresarial, vulgo mundo real.
Mas estavam reunidas as condições! Não tinha recursos próprios de Gestão e a tal de ultima hora já tinha passado, já estava no activo. O que fazer? Desenrascar-me pois claro! Vasculhei mentalmente qual das cadeiras tinha tido que mais poderia contribuir. Como a minha formação de base foi em Design, encontrei na Gestão da produção Industrial a ferramenta que me veio a servir de mote enquanto Gestor. Essa ferramenta, de autoria do Designer Bruno Munari, esquematiza todos os passos necessários para a resolução de um problema. Percorre, estruturadamente, o processo desde a identificação do problema, a análise de vária situações, os protótipos de soluções e seus testes de viabilidade até à concepção de uma solução final. Para mim, foi a ferramenta perfeita. Numa metodologia, cuja linguagem me era familiar, encontrei a minha ferramenta de gestão. Inovei? Desenrasquei-me? Qual a fronteira?? Não sei. Qual o resultado? Situações resolvidas. Eficaz? Sim, pelo menos para mim. Quanto às ferramentas que servirão para o leitor? Dizer para se desenrascar fica pouco elegante, pelo que digo, inove. A solução pode estar numa área diametralmente oposta.

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