quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Versão 2.0


As novas versões de algo são espectaculares. São as chamadas versões 2.0. Quando aparece algo de novo, temos uma enorme apetência para actualizar, para colocar de lado a velha versão. Todos os anos tendemos a fazer um upgrade, a aproveitar o virar do calendário para termos uma nova versão de nós próprios. Contudo, verificamos com o amadurecer dessa nossa nova versão que, a anterior, tinha grandes valores e, esses, queremos manter. 
Embalado pelos 30 anos do primeiro Apple Macintosh decidi ir resgatar a um caixote empoeirado, aquele que foi o meu primeiro Mac, curiosamente O primeiro Mac, de 1984. Quando me chegou às mãos já estava em estado de semi... velho. Mas funcionava, nele fiz o meu segundo “desenho assistido por computador” - o primeiro tinha sido uma aventura em basic no saudoso Spectrum 48k - o simples acto de guardar um ficheiro dava tempo suficiente para ir aquecer o jantar, nos igualmente saudosos tempo de estudante. Pó, muito pó. Com bastante cuidado e respeito pelo ancião informático, lá fui devolvendo a dignidade. Terminei a limpeza. Ligar à tomada foi um erro craso! Um breve silvo seguido de uma melancólica fumaça ditou o que temia. Por melhor aspecto que tivesse, as antigas versões devem sempre ser apreciadas no seu contexto temporal. Revisitar o passado, quando o tentamos contextualizar no presente, é algo arriscado. O futuro, esse, é bem mais tranquilo de trazer aos nosso dias. Podemos mais facilmente moldar a inovação aos nossos desejos e à nossa realidade. É precisamente essa inovação que será visitada nesta coluna. Bem-vindos a esta versão 2.0.

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