As novas versões de algo são espectaculares. São as chamadas versões 2.0. Quando aparece algo de novo, temos uma enorme apetência para actualizar, para colocar de lado a velha versão. Todos os anos tendemos a fazer um upgrade, a aproveitar o virar do calendário para termos uma nova versão de nós próprios. Contudo, verificamos com o amadurecer dessa nossa nova versão que, a anterior, tinha grandes valores e, esses, queremos manter.
Embalado pelos 30 anos do primeiro Apple Macintosh decidi ir resgatar a um caixote empoeirado, aquele que foi o meu primeiro Mac, curiosamente O primeiro Mac, de 1984. Quando me chegou às mãos já estava em estado de semi... velho. Mas funcionava, nele fiz o meu segundo “desenho assistido por computador” - o primeiro tinha sido uma aventura em basic no saudoso Spectrum 48k - o simples acto de guardar um ficheiro dava tempo suficiente para ir aquecer o jantar, nos igualmente saudosos tempo de estudante. Pó, muito pó. Com bastante cuidado e respeito pelo ancião informático, lá fui devolvendo a dignidade. Terminei a limpeza. Ligar à tomada foi um erro craso! Um breve silvo seguido de uma melancólica fumaça ditou o que temia. Por melhor aspecto que tivesse, as antigas versões devem sempre ser apreciadas no seu contexto temporal. Revisitar o passado, quando o tentamos contextualizar no presente, é algo arriscado. O futuro, esse, é bem mais tranquilo de trazer aos nosso dias. Podemos mais facilmente moldar a inovação aos nossos desejos e à nossa realidade. É precisamente essa inovação que será visitada nesta coluna. Bem-vindos a esta versão 2.0.
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