Hoje tive uma forte fonte de inspiração. Contrariamente ao habitual (vir de bicla), desloquei-me de carro para a zona histórica e, caso raro, vislumbrei um lugar perto do Museu Nacional Grão Vasco. Mas esse lugar afinal estava destinado! Esse lugar tinha uma guardiã! Guardiã essa que, com voz esganiçada, me avisou que o lugar estava guardado para uma amiga que estava mal estacionada e que tinha ido buscar o carro para irem ver o museu. Ora, talvez embebido de espírito de bom anfitrião (o sotaque era do sul, era mais “à séria, tá a ver?”) abdiquei do lugar não sem antes referir a falta de civismo que tal acção representava. Mas aí fez-se luz! Mas que falta de civismo?! Estamos na tal quadra!!! A quadra do vale-tudo! Assim sendo tomo a liberdade de compilar algumas práticas para aprimorar o moderno espírito natalício, dando aos leitores a possibilidade de inovarem e acompanharem as mais recentes tendências sociais.
Comecemos então: Guarde lugares, guarde lugares de tudo, de estacionamento
com o corpo de alguém, das mesas com os casacos e já agora, da fila do WC com
os chinelos de quarto; quando descer escadas rolantes pare logo à frente a
decidir para onde vai, demore a decidir e engane os restantes simulando que
volta para trás; se for de elevador não deixe sair ninguém antes, entre
primeiro e, se possível, com sacos em ambos as mãos; a zonas de entrada nas
superfícies comerciais são as melhores para estacionar, só os broncos é que não
notam; nos cruzamentos bloqueie quem vem de outros lados e, se tiverem aquela
trama de riscas amarelas, aproveite para se entreter tentando parar cada roda
sem tocar nas riscas - é bestial - no verdadeiro sentido da palavra! Ah, e nas
mesas das praças de restauração, ocupe sempre em número superior ao que
necessita, guarde lugares para a família de um amigo, afinal, é a quadra do
Natal!
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