segunda-feira, 6 de março de 2017

Olha o robot

Recentemente, numa qualquer rede social, vi algumas publicações relativas a inovação que me colocaram questões para além da inovação em si. Uma delas referia que a tecnologia criara uma geração de idiotas. Idiotas não como geradores de ideias mas sim de patetas alegres, a serem alimentados por um interminável feed e a tomar como snacks uns coloridos emojis com smiles e polegares erguidos. Quem diria… o polegar oponente, esse marco da evolução, reduzido a um primitivo like… Poderia lutar contra essa observação, poderia achar que é uma visão de velho de Restelo. Faria valer a crença de que ficamos velhos quando deixamos de criticar os mais seniores e passamos a criticar os mais novos. Bom, embora as minhas entradas me recordem do meu grau de maturação, também a simples observação numa qualquer mesa de qualquer café ou, ainda mais “idiota”, num restaurante, pode provar que esta mesma idiotice é independente de idade.


No mesmo dia vi também uma publicação, partilhada em igual tempo por um amigo da mesma cidade e por um do leste da europa - globalização oblige - sobre um super-robot que, com uma agilidade impressionante, galga escadas, passa por rampas, enfim, move-se com uma velocidade e destreza por norma não associada a robots. Pelo menos a reais, não aos dos filmes. E foi precisamente um filme, ou uma serie deles, que me veio à cabeça: O Exterminador… Ora, eu até me considero um tipo de inovação, um interessado por tecnologia e gadgets, a que propósito fiquei tão apreensivo com este robot? Será o receio da substituição da mão de obra humana pela robótica? Será a destreza (o equivalente ao polegar oponente) deste amontoado de peças que, em breve terá acesso a inteligência artificial? Creio que não, creio que o que mais assusta continua a ser o humano que possa estar por detrás das instruções, do código. Lena d’Àgua, olha o robot! Cuidado com a menina e o menino…idiota.

Texto publicado na edição 777 do semanário Jornal do Centro

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